sábado, abril 22

Fim!

O "Outro lado" chegou ao fim!
Como diria a sua musa inspiradora, "não vamos estar por aqui, mas vamos andar por aí..."
Até já!

quinta-feira, abril 13

Sabemos que a vida não nos corre pelo melhor...

...quando ficamos contentes pelos outro estarem de férias e nos deixarem a estrada livre para virmos trabalhar

Com o aproximar da época balnear...

... é preciso ter muito ciudado com os escaldões...


O lado positivo da coisa

É reconfortante saber que logo à noite quando sair do emprego, pelo menos não vou apanhar os deputados no trânsito...

quarta-feira, abril 5

Com honra e Glória

Depois de eliminar o Manchester United e o Liverpool, o Benfica caiu aos pés do Barcelona. Claro que não jogou de igual para igual mas quem viu os dois jogos não pode deixar de admitir que o Benfica teve hipótese de passar.

Esteve a um bom nível, saiu com brio. Koeman, keep up the good work

sexta-feira, março 31

Questão pertinente

Se o porco tem 4 pernas... de onde virá o fiambre da perna extra ?

quarta-feira, março 29

Será?...

...que se pode apanhar gripe das aves por estar com pele de galinha?...

Sinto-me vilipendiado!

terça-feira, março 28

O que dizem os outros

Manuel tem uma empresa. Um dos seus empregados dedica pelo menos uma semana do seu tempo a contactar com a administração pública central e local. Outros empresários que conhece, como os que estão na construção, têm um empregado que apenas trata de burocracias. Maria tem uma empresa que presta serviços às empresas, trata da contabilidade, da escrituração dos livros, dos papéis para a segurança social, de registos de compra e venda, de licenças na câmara... tem vários clientes e alguns empregados e avençados, como solicitadores e advogados. Antónia é funcionária pública, trata de licenças. Tem amigas em conservatórias e notários que fazem registos e escrituras...Não sabemos quantas. Mas sabemos que há muitas famílias que têm um emprego que só existe porque há... burocracia. Morta grande parte da complicação administrativa, postos de trabalho públicos mas também privados deixam de ter uma razão de existir.O Simplex, programa de simplificação administrativa na sua vertente preventiva e correctiva, é o exemplo de como devem ser hoje as políticas públicas. Portugal precisava, como o demonstram as comparações internacionais, de actuar rapidamente nos designados custos de contexto, inimigos do investimento interno e externo e, como consequência, obstáculos ao crescimento da economia e do emprego.Quando olhamos para dados que o Banco Mundial disponibiliza para os investidores avaliarem os custos de fazer negócios nos países do mundo, confirmamos que Portugal compara de forma muito desfavorável em quase todos os domínios. Para começar um negócio são necessários em Portugal 11 procedimentos, demorando em média 54 dias, quando a média registada no conjunto dos países mais ricos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico é de 6,5 tarefas para 19,5 dias e em Espanha 10 para 27 dias. Nos licenciamentos, os procedimentos são 20 com 327 dias para 12 em Espanha e 277 dias e 14,1 na OCDE e 146,9 dias. O custo é, em contrapartida, mais baixo em Portugal. As 333 medidas anunciadas para concretizar em 2006 podem promover o crescimento económico, simplificar a vida do cidadão e, em princípio, vão prestigiar a administração pública. Aquilo que o Governo se propõe fazer permite a empresas e famílias poupar, fazer o mesmo em menos tempo, ganhar dinheiro. Cada um de nós poderá produzir mais por hora, com um aumento tanto mais significativo quanto mais o seu posto de trabalho depender das relações com a administração pública central e local. Uma poupança que, em alguns casos, significará a destruição de postos de trabalho.Deveria então o Governo fazer com a burocracia o "abrir e fechar buracos" que Keynes recomendou como medida-limite num caso de recessão provocada pela procura? Deixar e até criar postos de trabalho para preencher e 'despreencher' papéis? Obviamente que não. A crise que vivemos nada tem a ver com a que se enfrentou no tempo de Keynes. Os problemas da economia portuguesa exigem remédios como o Simplex. Manuel, Maria e Antónia vão ter problemas. Terão uns de se adaptar a novos serviços, outros que procurar alternativas. Vão com certeza criar mais valor do que hoje. Mas o Governo não pode ignorar ou esquecer os efeitos colaterais do Simplex. Porque no curto prazo pode destruir mais do que criar emprego.
Helena Garrido
DN, 28/Março/2006

terça-feira, março 21

O Outro Lado feito pelos seus leitores

É verdadeiramente surpreendente!

Não tenho por hábito, nem mesmo por opção pessoal, escrever em espaços públicos da chamada blogosfera, preferindo fazê-lo de uma forma mais intimista ou mesmo pessoal. Mas reconhecendo a dedicação e consistência que o blog ooutroladodireito tem mantido, bem como considerando o elevado apreço e reconhecimento que tenho pelos principais impulsionadores de tal iniciativa, decidi enviar ao meu caro amigo Nuno este texto para que, se achar por bem, seja publicado no vosso espaço.

A razão de tal atrevimento é apenas um brado de desabafo por me sentir invadido de um sentimento de desilusão e apreensão para com uma geração, nomeadamente os seus valores, os seus interesses e o seu sentido de responsabilidade pessoal e cívica.

“É verdadeiramente surpreendente!” alguém escrevia num dos jornais diários do nosso quotidiano.
De facto, no início deste ano, foi lançado pelo Governo um Programa de Estágios Profissionais na Administração Pública que visa a renovação gradual e sustentada dos efectivos da administração pública, por jovens quadros com formação académica de nível superior e que possam vir a incorporar novo dinamismo e qualidade ao trabalho desenvolvido nos organismos de administração pública. (por vezes torna-se difícil associar esta palavra a muitas destas entidades, mas pronto esta dou-a de barato!)
A iniciativa parece interessante, o formato de concretização também e o modelo de incorporação dos jovens no mercado de trabalho, nomeadamente o de primeiro emprego, parece poder acrescentar valor, sobretudo considerando que, na maioria das entidades da administração pública, os jovens quadros que actualmente lá colaboram estão na sua grande maioria em situação de precariedade laboral, trabalhando em regimes de contrato de trabalho a “recibo verde”, sem qualquer vínculo patronal e periodicidades que roçam o ridículo de a cada 6 meses serem dispensados e reintegrados na semana seguinte e outras situações que tais. A iniciativa de tão interessante que aparenta ser, acaba até por pecar na forma como não reconhece a antiguidade destes colaboradores que já estão nas instituições, atribuindo direito de prioridade ao estabelecimento de vínculo contratual definitivo aos jovens graduados recrutados ao abrigo desta mesma iniciativa, logo após o término do referido estágio.
Pois bem, a iniciativa governamental parece comportar em si vantagens evidentes de renovação e modernização dos colaboradores da máquina de administração pública, incorporando “sangue novo” num sistema que, já de si mórbido, tenta evitar uma anunciada “extinção lenta” de grande parte dos Serviços, ou mesmo a privatização do seu funcionamento, podendo estes jovens quadros contribuir pessoal e civicamente para uma reversão desta tendência promovendo a evolução dos Serviços Públicos rumo a uma maior qualidade, eficiência e reconhecimento social.

Por outro lado, na Sociedade sente-se um constante descontentamento em relação ao futuro de muito jovens recém licenciados que se encontram no desemprego, nomeadamente daqueles que obtiveram formação em áreas como ciências sociais e humanas, ciências da educação, direito, línguas, artes, etc, onde o desemprego alastra e para os quais não se torna evidente qual a solução para este problema que, abusivamente muitos designam de flagelo social. Em muitos casos com certeza o será, no entanto e como descreverei de seguida, em muitos dos casos a situação de desemprego de muitos destes jovens mais parece uma situação de não assumpção de responsabilidades.

Assim, o Governo criou o Programa para a integração de jovens licenciados, sendo os destinatários jovens entre os 18 e 30 anos, colocando à sua disposição um estágio profissional, com uma remuneração fixa de 750 euros, durante os 12 meses de estágio.
Ora qual não é o meu espanto quando ao folhear alguns números dos resultados relativos à execução deste mesmo Programa, verifico algo de surpreendente: as entrevistas marcadas pela administração pública para o preenchimento de mais de três mil vagas para estes mesmos estágios remunerados, ficaram marcadas por um fenómeno inexplicável de “Excesso de faltas dos candidatos!” Só no Ministério das Finanças, das 163 convocatórias, 98 dos entrevistados não compareceram. Mas o efeito está generalizado aos restantes Ministérios como sejam, o da Justiça, o da Saúde, o da Economia, entre outros.
Ora, exactamente numa altura em que o desemprego galopa desenfreado para valores recorde, sendo os recém licenciados (principalmente de algumas áreas de difícil colocação e para as quais havia muitas vagas) aqueles que, de forma mais directa e mais intensa, têm sentido na pele a falta de um posto de trabalho, será que encontraram todos emprego entretanto??
Ou será que terão ido todos brincar com os amigos para a neve, gastando parte da mesada que os pais continuam a adiantar??

De facto 750 euros mensais não é um ordenado de “doutor”, muito menos uma fortuna! Mas, parece-me a mim, que é mais do que o mercado oferece em muitos dos casos, isto considerando que existem oportunidades, pois por vezes nem isso!

Esta realidade chocou-me e custou-me a perceber como é que alguns simplesmente rejeitam, ignoram ou mesmo menosprezam este tipo de oportunidades. Preocupa-me a falta de valores de responsabilidade e brio pessoal que alastra entre alguns, infelizmente muitos, dos jovens os quais preferem o aconchego mandrião do “abono” familiar, em detrimento da sua afirmação e emancipação pessoal, assumindo as suas responsabilidades enquanto adultos que procuram dar rumo à sua própria vida, não substituindo o suporte familiar sempre existente, mas criando e trilhando o seu próprio caminho, lutando e defendendo tudo aquilo em que acreditam (se é que muitos de facto acreditam no que quer que seja!), sempre acreditando que ainda vamos a tempo de mudar o mundo, se não parte dele!

Continuo a ser o sonhador de sempre e acredito que de facto ainda é possível mudar o mundo, mesmo que não de uma forma total, pelo menos devemos cada uma de nós contribuir para que peça após peça a realidade se vá modificando. Não basta reclamar e apontar defeitos e problemas, sugerindo sempre que “alguém” os deverá resolver por nós, demitindo-nos a nós próprios desta mesma responsabilidade!
E é precisamente isto que me parece ter acontecido neste caso concreto. Cada um dos jovens desempregados e que não concorreu ou que nem sequer compareceu à entrevista, prefere assumir, no meu mundinho “embrional”, a sua condição de coitadinho que não consegue arranjar oportunidades de emprego, que ninguém lhe liga e ninguém o quer, em vez de assumir por seus próprios meios a vontade de mudar, como alguém um dia disse, o pântano em que os seus dias se tornaram, única e exclusivamente por comodismo, falta de vontade, de iniciativa e medo de assumir as suas próprias responsabilidades!!
Como escrevi no início, este brado de desabafo por me sentir invadido por um sentimento de desilusão e apreensão para com uma geração, nomeadamente em relação os seus valores, aos seus interesses e ao seu sentido de responsabilidade pessoal e cívica, não apenas isso. Senti-me desiludido por sempre acreditar que nós, jovens, temos realmente na mão a capacidade para mudar, mas só se para tal estivermos dispostos a tal! Enquanto muitos dos jovens considerarem que 750 euros mensais são desprestigiantes, que apenas querem trabalhar em empresas de renome internacional pois será isso que lhe trará reconhecimento pessoal e social; enquanto muito dos jovens considerarem “pelintras” aqueles que estando desempregados procuram alternativas de independência em trabalhos menos reconhecidos como McDonald’s, Call Centers e outros; enquanto muitos dos jovens considerarem que aos vinte e tal anos continua a ser obrigação dos pais governá-los e dar-lhes dinheiro que satisfaçam a suas mordomias e “clichés” cosmopolitas; enquanto muitos dos nossos jovens considerarem que é com “connections” e “cunhas” político-partidárias ou pessoais que se obtém reconhecimento profissional e se vinga na carreira sem se fazer nada por isso; enquanto muitos dos nossos jovens assim pensarem muito dificilmente a nossa realidade mudará pois estaremos a construir um futuro assente numa estrutura com alicerces tão voláteis como as responsabilidades destes mesmos jovens.

O futuro das nossas vidas não pertence a mais ninguém do que a nós, jovens, mas por favor alguém que diga a estes “jovens” que a vida está difícil, sobretudo para quem quer um emprego!



Filipe Janela